quarta-feira, 30 de julho de 2025

O Fado


O fado, nasceu velado

Numa viela sombria

Num recanto do passado

Numa noite sem ter dia

 

Fado bastardo, enjeitado

Filho de mãe solteira

Parido em dor e pecado

Ao esconso duma trapeira

 

Fado triste, sem nome

Pelas ruas, perdido

Embalado pela fome

Num bairro esquecido

 

Fado maldito, canalha

Rufião, provocador

Que puxa duma navalha

Seja no ódio ou amor

 

Fado soldado, capitão

Na guerra sempre herói

Mesmo à boca de um canhão

Nem c'oa morte se condoi

 

Fado alegria, felicidade

Jocoso e brincalhão

Parece não ter idade

Todo ele é emoção

 

Fado louco, apaixonado

Arrastado pelo ciúme

De coração dilacerado

Que fraqueja num queixume

 

Fado mãe, protectora

Com as suas mãos de amor

Afaga o filho que adora

Fazendo sua, a sua dor

 

Fado, de labuta sofrida

Que troca suor por pão

P´ra depois no fim da vida

Ter escorraça dum patrão

 

Fado velho, fado antigo

Cansado da jornada

De uma vida de castigo

Na saudade recordada

 

Fado vadio, vagabundo

Eu não sei quem tu és!

Podes agora ser do mundo

Mas serás sempre português