quarta-feira, 30 de julho de 2025

O Fado


O fado, nasceu velado

Numa viela sombria

Num recanto do passado

Numa noite sem ter dia

 

Fado bastardo, enjeitado

Filho de mãe solteira

Parido em dor e pecado

Ao esconso duma trapeira

 

Fado triste, sem nome

Pelas ruas, perdido

Embalado pela fome

Num bairro esquecido

 

Fado maldito, canalha

Rufião, provocador

Que puxa duma navalha

Seja no ódio ou amor

 

Fado soldado, capitão

Na guerra sempre herói

Mesmo à boca de um canhão

Nem c'oa morte se condoi

 

Fado alegria, felicidade

Jocoso e brincalhão

Parece não ter idade

Todo ele é emoção

 

Fado louco, apaixonado

Arrastado pelo ciúme

De coração dilacerado

Que fraqueja num queixume

 

Fado mãe, protectora

Com as suas mãos de amor

Afaga o filho que adora

Fazendo sua, a sua dor

 

Fado, de labuta sofrida

Que troca suor por pão

P´ra depois no fim da vida

Ter escorraça dum patrão

 

Fado velho, fado antigo

Cansado da jornada

De uma vida de castigo

Na saudade recordada

 

Fado vadio, vagabundo

Eu não sei quem tu és!

Podes agora ser do mundo

Mas serás sempre português


sexta-feira, 7 de março de 2014

Aquela Rua

É ali à beira-Tejo
Entre o cais e a cidade
Há uma rua que invejo
Moram lá fado e saudade

E nessa rua singela
Há uma casa bem castiça
Tem um craveiro à janela
E paredes de caliça

Quando passo nessa rua
Ergo os olhos para o céu
E pergunto à D. Lua
Pelo amor que já foi meu

Mas um dia há-de chegar
Que da janela florida
Teus olhos vão encontrar
A paixão que foi perdida

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Fim

É à noite na cidade, que me perco
Pelas ruas inquietas, do meu sonho.
Das memórias mais secretas, me liberto
Quadras soltas sem sentido, que componho.

Tantos dias tantas horas, desta vida
Larguei ao vento, procurando liberdade.
E à sombra dum abismo, sem saída
Cavalguei no dorso negro, da saudade.

Prados verdes queria ver, assim floridos
Esboço feito a carvão, que não tem cor.
São de breu os traços tortos, esmorecidos
D'uma vida castigada, pela dor.

E à hora derradeira, um fado canta
Ao trinar d'uma guitarra, envelhecida.
Uma pomba mensageira, me levanta
Fecho os olhos e entrego, a minha vida.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Guitarra Amiga

Há um fado neste meu canto
Que me agarra o coração
E torna este meu pranto
Na nossa linda canção

Guitarra amiga que chora
Trina comigo esta sina
Banza de tempos de outrora
Velhinha, que não desafina

Lamentos vais desfiando
Sentindo os versos no ar
Cordas luzentes vibrando
Com os dedos a deslizar

Mas porque não és solteira
Não te quero namorar
Que a viola companheira
Tem ciúmes por te amar

Nuno Manuel

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Trovas Lusas e Massa Crítica apoiam o Fado

A Trovas Lusas e a Massa Crítica, Design e Publicidade apoiam o fado.
Com seis capas já produzidas, a Massa Crítica está disponível para apoiar os fadistas amadores e profissionais com design gráfico e fotografia, de qualidade, a valores bastante acessíveis.

Capas já produzidas:

Fados de Mim - António Lavinha
Design e retoque de imagem. CD com book de letras, gravado e produzido pela Voxom-Interfase

Partir, Ficar - Maria Inês
Produção fotográfica e design. CD gravado e produzido pela Voxom-Interfase

Augusto Ramos - Meu Ser
Design e retoque de imagem. CD gravado e produzido pela Voxom-Interfase

Alcina Santos
Composição e retoque de imagem. CD gravado e produzido pela Voxom-Interfase

Isabel Pinheiro
Composição e retoque de imagem. CD gravado e produzido pela Voxom-Interfase

Paulo Almeida - Aguarela de Fado
Produção fotográfica e design. CD gravado e produzido pelos Estúdios Bizarro
Massa Crítica, Design e Publicidade
91 963 63 13 - Nuno Manuel


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Trovas Lusas
A Trovas Lusas promove eventos que aliam fado e música popular portuguesa temperados com algum humor.
Com os mais variados fadistas e acompanhadores, propomo-nos realizar em espaços comerciais e privados momentos diferentes que satisfaçam os objectivos de quem solicita a nossa presença.
Contacto para espectáculos: nuno.manuel@sapo.pt

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Poema gentilmente cedido pela fadista e poetisa Lurdes Brás

Os Três Amigos da Farra
Maria de Lurdes Brás/Fontes Rocha (Fado Isabel)

Vou-lhes contar uma história
Uma história engraçada
Conheço duas amigas
Amigas da ramboiada

Há quem lhes chame vadias
Quando as vêm passar
Raro é saírem de dia
E à noite vão trabalhar

Têm um amigo fiel
Que anda sempre com elas
Pois trabalham os três juntos
Em tascas, bairros ou vielas

De qual ele gosta mais
É segredo bem guardado
Pois sai sempre com as duas
Quando vai p’ra qualquer lado

Mas vou-lhes dizer o nome
Dos três amigos da farra
O nome dele é Fado
Delas Viola e Guitarra


Maria de Lurdes Brás