O fado, nasceu velado
Numa viela sombria
Num recanto do passado
Numa noite sem ter dia
Fado bastardo, enjeitado
Filho de mãe solteira
Parido em dor e pecado
Ao esconso duma trapeira
Fado triste, sem nome
Pelas ruas, perdido
Embalado pela fome
Num bairro esquecido
Fado maldito, canalha
Rufião, provocador
Que puxa duma navalha
Seja no ódio ou amor
Fado soldado, capitão
Na guerra sempre herói
Mesmo à boca de um canhão
Nem c'oa morte se condoi
Fado alegria, felicidade
Jocoso e brincalhão
Parece não ter idade
Todo ele é emoção
Fado louco, apaixonado
Arrastado pelo ciúme
De coração dilacerado
Que fraqueja num queixume
Fado mãe, protectora
Com as suas mãos de amor
Afaga o filho que adora
Fazendo sua, a sua dor
Fado, de labuta sofrida
Que troca suor por pão
P´ra depois no fim da vida
Ter escorraça dum patrão
Fado velho, fado antigo
Cansado da jornada
De uma vida de castigo
Na saudade recordada
Fado vadio, vagabundo
Eu não sei quem tu és!
Podes agora ser do mundo
Mas serás sempre português














